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Uso de IA generativa por profissionais do Direito aumenta e já atinge 76% no Brasil, segundo estudo

Pesquisa com mais de 1.800 profissionais do Direito revela avanço da IA generativa na rotina jurídica brasileira e seus impactos em produtividade, qualidade técnica e bem-estar profissional

A Inteligência Artificial generativa se consolidou como parte da rotina de profissionais do Direito no Brasil. É o que mostra o Relatório sobre o Impacto da IA no Direito, lançado na última quarta-feira (25): os dados mostram que a adoção da tecnologia cresceu de forma expressiva em relação à edição anterior do relatório. 

Atualmente, 76% dos profissionais do Direito afirmam utilizar IA generativa ao menos uma vez por semana em sua rotina, um avanço relevante em comparação com 2025, quando esse índice era de 55%. Ao mesmo tempo, o número de profissionais que ainda não utilizam a tecnologia caiu de 28% para 11%.

O impacto também aparece na produtividade: 84% afirmam ter economizado tempo com o uso da tecnologia e 37% relatam uma economia superior a quatro dias de trabalho por mês. Além da eficiência operacional, os profissionais percebem impactos positivos na qualidade do trabalho e no bem-estar. 

Segundo o estudo, 91% dos participantes afirmam que a IA contribuiu para melhorar a qualidade técnica das entregas jurídicas, enquanto 75% relatam melhora no bem-estar profissional, indicando que a tecnologia pode ajudar a reduzir a execução de tarefas repetitivas e permitir maior foco em atividades estratégicas.

Outro dado relevante diz respeito ao papel da IA na tomada de decisões. De acordo com a pesquisa, 96% dos respondentes afirmam utilizar ferramentas de IA como apoio em decisões jurídicas ou estratégicas, e 88% consideram que as contribuições da tecnologia foram “decisivas” ou “relevantes” para o resultado final.

Investimentos em capacitação

O estudo também aponta que a busca por capacitação acompanha o avanço da tecnologia no setor. Sete em cada dez profissionais (70%) afirmam que pretendem investir do próprio bolso em capacitação ou ferramentas de IA ao longo de 2026, demonstrando que a transformação tecnológica do Direito também está sendo impulsionada pela iniciativa individual dos profissionais.

Ao mesmo tempo, o estudo destaca a importância de acompanhar essa evolução com responsabilidade, promovendo capacitação, reflexão ética e desenvolvimento de boas práticas para o uso da tecnologia no setor.

Para Luiz Paulo Pinho, cofundador do Jusbrasil, o levantamento mostra o potencial da inteligência artificial no Direito.

“A IA no Direito só atinge seu potencial pleno quando é moldada pela realidade e pelas necessidades da prática jurídica. Quando isso acontece, ela deixa de ser apenas uma novidade tecnológica e passa a se tornar uma plataforma de trabalho para os profissionais. Isso amplia a capacidade analítica, melhora a qualidade técnica das entregas e pode contribuir para um sistema de justiça mais eficiente e acessível”, afirma Luiz Paulo.

“O profissional do Direito já abraçou a IA, mas os dados mostram um descompasso preocupante: a inovação está acontecendo ‘fora do radar’ das organizações. É imprescindível e urgente que as lideranças assumam o controle dessa narrativa. O relatório comprova que o resultado real com a IA não acontece por acaso, mas de um ambiente que incentive o uso, garanta governança e invista em qualificação. Capacitar equipes é o alicerce para que o avanço não seja apenas rápido, mas principalmente responsável, produtivo e focado no que o ser humano faz de melhor: a estratégia e o relacionamento com clientes”, finaliza Matheus Ganem, CEO da Trybe. 

Metodologia 

A pesquisa contou com ampla participação voluntária e reuniu mais de 1.800 respondentes, entre advogados, estudantes e outros operadores do Direito de todas as regiões do país.

O volume de respostas confere ao levantamento nível de confiança de 95%, com margem de erro de 2%, permitindo uma leitura representativa do cenário brasileiro em relação ao uso e às perspectivas da IA generativa no setor jurídico. 

Os dados primários foram coletados por meio de um formulário distribuído nos canais digitais das seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil nos estados de São Paulo, Paraná, Bahia, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo, além das plataformas e redes das instituições parceiras Jusbrasil, Trybe e ITS Rio.

Para conferir a análise completa e os dados inéditos do estudo, acesse gratuitamente o relatório clicando aqui.

Guilherme Peara

Fundador e Editor-chefe do InfoDireito. Advogado e empresário na área da Comunicação. Graduado em Direito pela PUC Goiás, pós-graduado em Gestão Estratégica de Marketing pela HSM University.

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