Cargo de CEO ainda é exceção em escritórios de advocacia
Estudo mostra que cargo ainda é pouco padronizado no Brasil e levanta dúvidas sobre remuneração, sucessão e divisão de responsabilidades com os sócios
São Paulo, agosto de 2025 – Os escritórios de advocacia estão passando por uma transformação silenciosa, porém cada vez mais necessária: a profissionalização da gestão.
Com estruturas tradicionalmente lideradas por sócios fundadores, o setor jurídico começa a experimentar a adoção de cargos executivos como o de CEO. Mas essa transição ainda encontra diversos desafios.
Uma pesquisa exclusiva realizada pela consultoria de recrutamento BOLD HRO com escritórios de médio e grande porte revela que o cargo de CEO ainda é pouco consolidado nesse mercado.
Apenas 25% das bancas jurídicas utilizam formalmente essa nomenclatura. A maioria ainda opera sob o modelo de “Managing Partner”, no qual um ou mais sócios acumulam funções técnicas e administrativas, muitas vezes sem uma distinção clara de responsabilidades.
“Há um movimento crescente de modernização, mas ainda estamos num estágio embrionário. Muitos escritórios sentem a necessidade de um líder estratégico, mas não sabem exatamente como o contratar, o que esperar desse profissional ou como estruturá-lo na organização”, explica Maria Eduarda Silveira, a Madu, fundadora da BOLD HRO.
Falta de padrão e desafios de sucessão
De acordo com o estudo, o papel do CEO nos escritórios que já adotam esse modelo costuma ser híbrido: ele responde por áreas administrativas como RH, TI, Facilities e Comunicação, mas muitas vezes também precisa atuar tecnicamente, sobretudo em estruturas menores ou em fase de transição.
O pacote de remuneração, por sua vez, varia de forma expressiva. Em alguns casos, o modelo é adaptado a partir de referências de mercado de serviços. Em outros, é uma composição societária com remuneração variável baseada em metas — o que pode gerar conflitos quando as atribuições do CEO não estão claramente definidas.
Outro ponto de atenção é a sucessão. A maioria dos escritórios não possui planos estruturados para formar ou substituir lideranças executivas. Muitos ainda resistem à ideia de trazer profissionais de fora, preferindo manter o controle entre os sócios. Mas, na prática, essa postura tem limitado a capacidade de inovação e expansão das bancas jurídicas.
“Boa parte dos escritórios ainda define carreira com base no tempo de casa, e não nas competências desenvolvidas. Para um cargo como o de CEO, que exige visão estratégica, conhecimento em gestão e capacidade de articulação entre áreas, isso é um entrave”, afirma Madu.
Modelo ainda é customizado, mas tende a crescer
Embora o modelo não seja padronizado, ele representa uma oportunidade concreta para escritórios que desejam se posicionar de forma mais competitiva. Quando há clareza sobre as responsabilidades do CEO, sua autonomia e seu vínculo com o plano estratégico, a estrutura tende a ganhar eficiência — liberando os sócios para focar em atuação jurídica e geração de negócios.
Nos mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, a função de CEO já é mais consolidada, com foco estratégico e hierarquia definida em relação aos sócios regionais (Managing Partners). No Brasil, porém, a adoção ainda é personalizada e exige um processo de adaptação que passa por cultura, estrutura societária e planejamento de longo prazo.
“Não se trata apenas de contratar um executivo, mas de redesenhar a governança do escritório. É uma decisão que exige intencionalidade, pois impacta diretamente as estruturas internas”, reforça Madu.
Sobre BOLD HRO
Criada em 2020 pela sócia-fundadora da BOLD HRO, Maria Eduarda Silveira, a empresa é uma consultoria de recrutamento especializado e desenvolvimento organizacional, com soluções personalizadas em hunting executivo e educação corporativa. Situada no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo, foi reconhecida durante cinco anos consecutivos pelo ranking da Leaders League como uma das principais empresas do segmento.
Sobre Maria Eduarda Silveira
Maria Eduarda possui especialização em liderança tanto pelo INSPER (Instituto de Ensino e Pesquisa) quanto pela Columbia Business School, people analytics pela FIA (Fundação Instituto de Administração), MBA em Gestão Estratégica de Recursos Humanos pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e Empreendedorismo pela Babson College. Há mais de uma década, atua como headhunter executiva. É também empreendedora, fundadora da BOLD HRO, empresa de recrutamento especializado e desenvolvimento organizacional. Além disso, gera conteúdo em suas redes sociais, com temas sobre carreira e empregabilidade, a fim de ajudar o desenvolvimento dos profissionais no mercado de trabalho.